Maria Nascimento S. Carvalho

 

 

Num dia de chuva,
o trovão bramia,
o mar se agitava,
e o sol se escondia
nas nuvens cinzentas
dos ermos do dia...

Num dia de chuva,
a lua dormia,
o frio gelava,
o vento gemia,
e, em sonho, eu vagava
nos ermos do dia...

Num dia de chuva,
de céu sem estrelas,
eu sentia medo
saudade eu sentia,
e a luz se embaçava
nos ermos do dia...

Num dia de chuva,
de tarde sombria,
eu te divisava
em tudo que via,
mas não te encontrava
nos ermos do dia...

Num dia de chuva,
a morte matava,
e mais aumentava
a dor que trazia,
mas não recuava
nos ermos do dia...

Num dia de chuva ,
eu, triste, rezava ,
e a reza amainava
a minha agonia...
E a chuva lavava
os ermos do dia...

Num dia de chuva,
quando eu mais rezava,
minha fé crescia...
E a vida ensinava
que, nem DEUS parava,
nos ermos do dia.
 

 

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